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22/07/2014
IV Congresso do CNAB


22/07/2014
Sessão Dia internacional da Mulher Afro-Latina-Americana


22/07/2014
#OJaraguaÉGuarani












Fotos de Alvaro Villela sobre comunidades quilombolas
Fotos de Alvaro Villela sobre comunidades quilombolas na Bahia
17/09/2011

Depois que finalizei o projeto com os índios da comunidade Pankararé, que vivem no sertão brasileiro, me voltei para os povos das águas. Desde 2007, venho documentando pescadores, marisqueiras, agricultores, mestiços, brancos e negros, e nesse envolvimento com as comunidades ribeirinhas, cheguei aos quilombolas da Barra e do Bananal, duas pequenas comunidades de negros, descendentes de escravos que fugiram de um navio negreiro naufragado na costa sul da Bahia, e que vivem desde o século XVII às margens do Rio Brumado, no município de Rio de Contas, na Chapada Diamantina, no Estado da Bahia.
É importante saber que existem classificadas 724 comunidades remanescentes de quilombos no país, totalizando mais de 2 milhões de pessoas, distribuídas em 30,6 milhões de hectares de terras. Terras que não necessariamente lhes pertencem, apesar da ocupação secular. E como as comunidades não possuem certificados de propriedade, ficam à margem, não podendo, por exemplo, pedir empréstimo em banco para plantar. 
Desde 1998, o governo vem conferindo a essas comunidades títulos que atestem a descendência de antigos quilombos e passando, para as mãos dos atuais moradores, as terras em definitivo. Até agora, 18 comunidades (Barra e Bananal são duas destas) receberam seus títulos, faltando 706.
Meu envolvimento com essas comunidades sempre foi o de um documentarista. Fotografo suas danças, seu trabalho, seu lazer e as demais facetas da vida.Ao ser contratado pela Secretaria de Promoção da Igualdade do Estado da Bahia (Sepromi), que me solicitou imagens que revelassem a ligação das atuais comunidades quilombolas com sua cultura ancestral, foi que percebi como a ancestralidade está diluída em maneirismos, costumes e até mesmo com outra religião da que era seguida por seus antecessores.
Foi bastante curioso estar em um lugar, entre pessoas que eu já havia fotografado, procurando entender, através de outro olhar, aspectos relevantes da cultura ancestral que resistiram a séculos de violências.
"Nossos pais contavam histórias de sofrimento, da época da escravidão. Mas, não queríamos ouvir as coisas dos mais velhos porque achávamos que era caduquice. Aí eles morreram, e a gente, que não soube aproveitar, perdeu isso para sempre”. Nas palavras de Dona Claudina Silva, 91 anos, uma das moradoras mais antiga da comunidade, o testamento de um povo.
Diante desse quadro de quase apagamento da memória, a solução foi buscar na simplicidade do retrato a essência de toda a ancestralidade distante. Eu já havia feito alguns retratos da comunidade, e mantínhamos uma relação de respeito e carinho, o que contribuiu, e muito, para uma maior entrega durante a sessão das fotos que estão aqui expostas.
Montamos um pequeno estúdio na casa de Dona Joanita, mulher sorridente, moradora do Bananal e entusiasta do projeto. Usamos um pano preto ao fundo, o qual descontextualizou as pessoas, criando-lhes a sensação de desaparecimento de si mesmas, fazendo assim, uma alusão a distante ancestralidade.
Foram dois dias de trabalho. No começo as pessoas resistiram, mas depois de verem as fotos umas das outras, a emoção tomou conta do pequeno espaço que dividíamos com os móveis da sala. A tensão inicial deu lugar a risos e a deliciosos comentários sobre as suas faces.
Apresentado os primeiros resultados, algumas pessoas se surpreenderam com a própria imagem, o que me leva a crer que elas não se olham ou não se veem. Uma senhora negra de olhos claros, já tinha ouvido falar da cor dos seus olhos, mas não tinha certeza de como eles são. Neste momento, decidi colocar de lado a Pentax 6x7 que usaria e lancei mão de um equipamento digital. A cumplicidade, que conseguimos estabelecer, mais que justifica essa decisão. As pessoas fizeram fila para serem fotografadas.
Com uma identidade cultural bastante rarefeita, o que resta da própria ancestralidade desse povo é a força das suas faces.  Os retratos aqui apresentados seguem uma estrutura de trabalho que sugere uma metáfora de um povo e sua cultura, que tendem a desaparecer, ou se reinventarem, só restando uma memória distante.














O Projeto Faces foi selecionado pelo Photo España 2011 para participar da exposição coletiva PESO y LEVEDAD, que reuniu o olhar de 15 fotógrafos latino americanos no Instituto Cervantes em Madrid, de junho a setembro. Em seguida,  a mostra itinerante será apresentada nas principais sedes do Instituto Cervantes pelo mundo.

Acessem os links: 
 
 
 
Matéria publicada no jornal A Tarde de Salvador/BA
                                                         
 
 

QUARTA-FEIRA, 7 DE SETEMBRO DE 2011

Quilombolas

 
Filhos de uma diáspora, os negros vieram para o Brasil na condição mais humilhante a que um ser humano pode ser submentido: Como escravo! Na luta para sobreviverem com dignidade, formaram os quilombos! As comunidades quilombolas contemporâneas, são remanescentes desses quilombos, aquelas repúblicas de homens e mulheres livres, formadas por escravos que fugiram do cativeiro e partiram para lutar por uma vida com liberdade.
Estudar, registrar e divulgar essa resistência é fundamental para nós, brasileiros. Poucos são os povos do mundo que tem nas suas origens uma diversidade como a nossa, e nesse nosso país mestiço, a raiz africana é quem dá o tom.
(Baseado no livro Quilombolas - Tradições e Cultura da Resistência.)
Quilombola Barra do Brumado visto da província do Mato Grosso a 1600m de altitute
"Os povos africanos e seus descendentes eram detentores de uma forte cultura espacial, fato facilmente reconhecido pelas localizações de difícil acesso escolhidas para implantação dos quilombos. 
A organização territorial do quilombo dependia da localização geográfica estratégica, em regiões de topografia acidentada, como chapadas, serras, ou vales florestados e férteis com sistema de vigilância nas áreas altas." ( Extraído do livro Quilombolas - Tradições e Cultura da Resistência.)


 
Conta-se na região, que no século XVII, quando um navio negreiro naufragou no litoral sul da Bahia, onde hoje é conhecido como Itacaré, os africanos que sobreviveram fugiram para costa e continuaram rio acima em busca de segurança. O rio em questão é o rio de Contas, que nasce na chapada diamantina e deságua em Itacaré. Ao se sentirem seguros, se estabeleceram às margens do rio Brumando, afluente do rio de contas, cultivando a terra e caçando. Com a chegada dos bandeirantes na região em busca de ouro, o paulista Sebastião Raposo Tavares, re-escravizou os africanos obrigando-os  a trabalharem no garimpo e construírem uma vila a 1500m de altitude, que hoje é o distrito de Mato Grosso.


Estrada de barro que nos leva ao Quilombola Barra do Brumado




Quilombola Barra do Brumado 


Quilombola Barra do Brumado
Quilombola Bananal
Praça principal do Quilombola Barra do Brumado, com Igreja ao fundo
Quilombola Barra do Brumado
Quilombola Barra do Brumado
O artesanato dos povos quilombolas no país se caracterizam pelo traçado da palha, modelagem do barro, manuseio de pedras, madeiras e metais. No entando, essa herança africana, nos quilombolas de Barra e Bananal, sucumbiu ao bordado e ao chochê, ambos de origem européia.
Atividade comunitária no quilombola Barra do Brumado
Atividade comunitária no quilombola Barra do Brumado


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Fonte: http://avolhovivo.blogspot.com


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