Federação das Comunidades Quilombolas do Estado de Minas Gerais – N´Golo
A Federação das Comunidades Quilombolas do Estado de Minas Gerais – N’Golo foi criada no ano de 2005 com o apoio de várias entidades, dentre elas, o Centro de Documentação Eloy Ferreira da Silva – CEDEFES.
A idéia de criar uma organização estadual das comunidades quilombolas adveio dos próprios quilombolas que entenderam ser fundamental sua articulação. O movimento que culminou com a criação da Federação teve início em 2003, quando vários eventos sobre os direitos quilombolas proporcionaram a mobilização das comunidades.
As primeiras mobilizações para a sua criação ocorreram em 2004, durante o Iº Encontro de Comunidades Negras e Quilombolas. Esse evento permitiu um primeiro contato entre lideranças das comunidades quilombolas e delas com autoridades governamentais das esferas federal, estadual e municipal e organizações não governamentais.
Em 2004, foi realizado o “1º Encontro das Comunidades Negras e Quilombolas de Minas Gerais”, organizado pela Fundação Cultural Palmares e pelo Instituto de Defesa da Cultura Negra e Afro-descendentes – “Fala Negra” em Belo Horizonte, com um apoio muito grande do CEDEFES, do CONSEA, da prefeitura de Belo Horizonte e do IDENE. Nesse encontro, os participantes discutiram seu direito ao território cultural bem como as políticas públicas direcionadas aos remanescentes de quilombo no país. Representantes das setenta e duas comunidades presentes no encontro criaram uma Comissão Provisória Quilombola, com eleição de representantes por região do estado, com a finalidade de representá-los na luta por seus direitos.
A comissão eleita realizou três reuniões ao longo do ano de 2004, para então, em junho de 2005, finalmente, através de uma assembléia com a participação de 170 quilombolas, representando 76 comunidades, pôde consolidar sua organização política e fundar a Federação Estadual das Comunidades Quilombolas de Minas Gerais. Na ocasião, diversos representantes de comunidades expuseram a situação em que vivem: a grilagem das terras, a parcimônia de políticas públicas, a falta de geração de renda nas localidades, entre outros problemas. Os grupos discutiram um planejamento de ações e houve a eleição, por aclamação, da primeira diretoria.
A direção da Federação é composta por uma diretoria e um conselho fiscal com mandato de três anos. A diretoria da Federação é formada por seis diferentes cargos: Diretor Presidente; Diretor de Administração e Finanças; Diretor de Educação Política, Formação e Comunicação; Diretor de Promoção da Igualdade Racial e Direitos Humanos; Diretor de Etnodesenvolvimento Sustentável; e Coordenadora da Comissão Estadual de Mulheres. E o Conselho Fiscal é formado por seis pessoas, sendo três titulares e três suplentes.
O que significa N'Golo
O nome N’Golo possui origem africana. Como uma dança ritual dos mucopes em Angola, região sul da África, N’Golo também é popularmente conhecido como “dança da zebra”. Com base nos movimentos realizados por esse animal quando os machos, em um combate violento, disputam entre si sua fêmea, N’Golo se constituiu como uma dança ritual dos jovens homens mucopes para conquistar suas esposas.
Em função do tráfico negreiro para o Brasil, muitos foram os conhecedores dessa dança ritual que vieram para cá. A necessidade de resistir à escravidão, no entanto, fez com que percebessem que os seus movimentos, marcadamente de pernas, poderiam ser utilizados como luta e combate pessoal. Assim, o N’Golo ficou conhecido no Brasil como a dança ritual que deu origem à capoeira, tendo sido difundido como símbolo de resistência e luta dos afro-descendentes.
O nome N´golo foi sugerido pelo padre antropólogo D´jalma Antônio da Silva
As conquistas e os Desafios
Dando continuidade às atividades de mobilização e integração do movimento, a Federação, com o apoio do CEDEFES e de outras entidades, realizou, no final de março de 2007, em São João da Ponte, município situado no Norte do Estado, o II Encontro das Comunidades Quilombolas do Estado de Minas Gerais. Durante o encontro, houve o entendimento, entre os quilombolas de que a regularização de seus territórios é essencial para que a sua cidadania e diversidade étnicas sejam preservadas. Asssim, a principal reivindicação surgida no encontro foi a titulação das terras quilombolas, pois constatou-se que das 450 comunidades existentes no Estado, apenas uma obteve o título de sua terra, e essa, lamentavelmente, se encontra submersa.
Em novembro de 2009, a Federação N´golo realizou o III Encontro das Comunidades Quilombolas de Minas Gerais em Contagem, Minas Gerais. Além da Federação, o Encontro contou com o apoio e organização do CEDEFES, do Escritório de Direitos Humanos do Estado de Minas Gerais, do Instituto de Terras de Minas Gerais e do Ministério de Desenvolvimento Social e Combate a Fome.
O III Encontro das Comunidades Quilombolas de Minas Gerais foi fruto da articulação dos movimentos sociais e quilombolas que acontece em Minas Gerais desde o início dos anos 2000. Esta articulação de entidades governamentais e não-governamentais ajudou na formação e fundação da Federação das Comunidades Quilombolas de Minas Gerais – N´golo.
O III Encontro surgiu da demanda da Federação e da articulação do CEDEFES com as entidades parceiras e financeiras para que o evento tivesse condições de acontecer. As comunidades quilombolas vivem um período conturbado, onde o Estado está acuando e cerceando cada vez mais os direitos já adquiridos nos últimos anos. Ao mesmo tempo, neste momento, as comunidades estão saindo da invisibilidade social e política. A metodologia foi gestada juntamente com a diretoria da Federação Quilombola N´golo e outras lideranças que objetivava um evento que propiciasse o fortalecimento e a organização da entidade (N´golo). Estiveram presentes 230 representantes quilombolas de 76 comunidades de várias regiões do Estado de Minas Gerais.
A Federação ainda não possui uma sede própria e seus recursos ainda são insuficientes para realizar as atividades desejadas. No entanto, a trajetória dessa organização apenas deu seus primeiros passos. A expectativa é que, através da articulação e da organização dos próprios quilombolas, sua luta adquira maior visibilidade e força política.
Diretoria Atual (2009):
Sandra Maria da Silva-Presidente
Francisco Coedeiro Barbosa_Vice-presidente
Gilberto Coelho-Diretor Administrativo
Vinício Aparecido Souza-Vice-Diretor Administrativo
Míriam Aprígio Pereira-Diretora de Educação,Política,Formação e Comunicação
Paulo Adriano Moreira-Vice-Diretor de Educação,Política,Formação e Comunicação
Vandeli Paulo Santos-Diretor de Promoção da Igualdade e Direitos Humanos
Geraldo Carlos Moreira- Vice-Diretor de Promoção da Igualdade e Direitos Humanos
Valter Vítor da Silva- Diretor de Etno-desenvolvimento Sustentável
Maria Cruz Silva- Diretora de Finanças
Elenice Silva- Vice-Diretora de Finanças
Jesus Rosário Araújo-Diretor de Cultura
Lindomar- Vice-Diretor de Cultura
Membros da Comissão de Ètica:
Amadeu Antônio da Silva
Maria Luiza Marcelino(suplente)
Membros da Comissão Estadual de Mulheres Quilombolas
Luzia Maria Sidônio
Gilmara Rodrigues do Rosário(suplente)
Membros do Conselho Fiscal
João da Cruz Bispo
Airton da Silva(suplente)
Maria das Graças Epifânio da Silva
Maria Imaculada da Silva(suplente)
Jesuíto José Gonçalves
Tânia Aparecida da Silva Oliveira(suplente)
Contato:
A N’Golo tem utilizado o espaço físico do CEDEFES para organização de suas lutas. Entre em contato com a N’Golo através:
Endereço: Rua Demétrio Ribeiro, 195, Vera Cruz, Belo Horizonte/ MG Cep: 30.285-680
Telefone: (31) 3224-7659/ (31) 3047-7801/ (31) 9312-9940
Email: ngolomg@yahoo.com.br
Fonte: Texto Vanessa Caldeira, editado por Equipe Cedefes.