Mas, quando gastamos energia, tempo e, muitas vezes, sangue em uma luta cotidiana, defendendo o território e a própria sobrevivência, como sobra tempo para falar do que acontece aqui dentro, se o que está lá fora é tão grande?
Sabemos que viver em comunidade é um conjunto. Um conjunto feito de vários indivíduos, com histórias, vivências e necessidades diferentes, cada um com suas próprias dores, sofrimentos e lutas particulares.
Os jovens, por exemplo, enfrentam as dúvidas sobre seu futuro, a vontade de permanecer no território e a necessidade de sair para construir o saber e, através dele, contribuir para o desenvolvimento do próprio território.
A liderança, por sua vez, sabe da sua importância para a resistência e a orientação, mas muitas vezes deixa sua vida pessoal de lado para isso.
Além disso, quando o básico, como segurança social, alimentação, moradia e renda, não é garantido, o choro, a tristeza e a melancolia ficam para depois. Mas ficam, e cada vez mais pesados.
É importante ressaltar que saber dessa necessidade de cuidado não a garante automaticamente. O acesso a profissionais de saúde mental, como psicólogos e psiquiatras, ainda é elitizado, caro ou concorrido.
Mas, mesmo com todos esses desafios, cuidar do que nos aflige é reunir forças para continuar lutando. Percebemos uma organização das próprias comunidades para garantir espaços seguros de troca e fortalecimento entre companheiros, por meio da preservação das tradições e práticas coletivas, do reconhecimento da importância de cada indivíduo e do compartilhamento, fortalecendo vínculos e o apoio mútuo.
Isso nos leva a acreditar que uma luta não precisa se sobrepor à outra e que o cuidado com a saúde mental pode ser uma importante ferramenta na defesa dos territórios tradicionais.

