Vazamento de rejeito em barragem de Ouro Preto atinge cursos d’água

01/09/2020

Aline Peres e Natália Oliveira - Jornal O Tempo

Fonte:https://www.otempo.com.br/mobile/cidades/vazamento-de-rejeito-em-barragem-de-ouro-preto-atinge-cursos-d-agua-1.2379642

Córrego dos Alemães e ribeirão Mango foram atingidos; mineradora será autuada, segundo a Fundação Estadual do Meio Ambiente

Vazamento de rejeito em barragem de Ouro Preto atinge cursos d'água

Dois dias depois de passar por vistoria para assegurar que não oferecia riscos de rompimento, a barragem dos Alemães, no distrito de Miguel Burnier, em Ouro Preto, na região Central de Minas, teve um vazamento.

Os rejeitos atingiram o córrego dos Alemães e o ribeirão Mango, no mesmo distrito. A Fundação Estadual do Meio Ambiente (FEAM), mesmo órgão que realizou a vistoria dias antes, investiga o caso.

De acordo com o órgão, há possibilidade de danos ambientais também no rio Itabirito. Ainda segundo a Feam, a Gerdau, que administra a barragem, será autuada por causar intervenção que resulta ou possa resultar em dano ambiental.

O vazamento  começou na manhã da última sexta-feira, 28, e foi comunicado à Feam pelo Núcleo de Emergência Ambiental (NEA). “Foi informado que a empresa interrompeu o fluxo de material, sanando o vazamento na tarde do mesmo dia”, esclareceu o órgão, por meio de nota.

Um dia após o vazamento, foi feita uma fiscalização na área e recolhidas amostragens de água do rio Itabirito e do ribeirão Mango. Nesta terça-feira, 1, a Feam faz nova fiscalização nas comunidades próximas para verificar se houve danos ambientais também nesses espaços. Até o fechamento desta matéria, o trabalho ainda estava em andamento.

A Gerdau se pronunciou sobre o vazamento da barragem. Segundo a empresa, houve passagem de rejeito pelo extravasor operacional, que atingiu a drenagem à frente. Ainda de acordo com a mineradora, o fluxo foi contido por boias e, no mesmo dia, a água apresentava turbidez normal.

A barragem  

A barragem dos Alemães foi construída pelo método de alteamento a montante, o mesmo utilizado na barragem do Fundão, em Mariana, que se rompeu em 2015. Esse também era o método da barragem que se rompeu em Brumadinho, em 2019, causando centenas de mortes.

Essa estrutura é a mais comum e mais barata para esse tipo de intervenção e consiste na construção de degraus com os próprios rejeitos para conter o material despejado na estrutura.

De acordo com a Gerdau, o vazamento não tem relação com a estrutura ou segurança da barragem.

Segundo a Feam, a estrutura da barragem dos Alemães deve ser descaracterizada, mas, enquanto uma nova barragem não é construída com a utilização de outro método, fiscalizações são feitas para assegurar que não há riscos.

A última vistoria no âmbito do Programa de Gestão de Barragens foi feita em 26 de agosto, dois dias antes do vazamento, conforme a Feam.

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