Treze países e oito capitais brasileiras terão atos contra Belo Monte

17/08/2011

Ativistas chamam a atenção dos governos e da sociedade mundial para os impactos da construção da usina ao meio ambiente e aos indígenas

 

17/08/2011

Aline Scarso,
Da redação

 

Ativistas de treze países confirmaram protestos para esse sábado (20) em uma grande manifestação mundial contra a construção da usina hidrelétrica Belo Monte, no Rio Xingu, No Pará. No Brasil, há manifestações confirmadas em oito capitais brasileiras para o mesmo dia. Este é o primeiro ato organizado mundialmente contra Belo Monte.

O objetivo é chamar a atenção dos governos e da sociedade mundial para os impactos que serão causados pela hidrelétrica, que alagará 500 quilômetros quadrados de área da floresta amazônica. As manifestações também pedem respeito à vida das etnias indígenas que vivem em torno do Rio Xingu e que serão duramente afetadas no seu modo de vida pela construção.

Protestos estão confirmados na Alemanha, Austrália, Canadá, Estados Unidos,França, Portugal, México, Inglaterra, Holanda, Escócia, Taiwan, Turquia e País de Gales. A maioria das manifestações ocorrerá em frente à embaixada brasileira desses países. No México, Inglaterra, Holanda, Escócia, Taiwan, Turquia e País de Gales, os atos estão marcados para a segunda-feira (22).

No Brasil, haverá manifestações em Brasília, Belém, Fortaleza, João Pessoa, Salvador, São Paulo, Recife e Rio de Janeiro. A construção dos atos é descentralizada e parte da iniciativa individual de ativistas, conforme explica um dos organizadores da manifestação de São Paulo, Marco Antonio Morgado, integrante do Movimento Brasil pela Vida nas Florestas.

“O movimento surgiu de iniciativas voluntárias no Brasil e nesses países. Por isso, são vários organizadores. Só nos Estados Unidos, quatro cidades terão atos (Nova Iorque, São Francisco, Washington e Salt Lake City). Queremos mostrar que somos contra a construção de uma usina que vai favorecer o lucro de algumas empresas em detrimento da justiça social e da qualidade ambiental e ecológica”, destaca o ativista.

Os atos devem lembrar a cultura indígena com a realização de rituais de guerra e danças originárias dos povos que vivem em torno do Rio Xingu, como a Takuara, Jawari e Yamurycumã.

Segundo Morgado, é uma visão sistêmica entre sociedade, economia e meio ambiente que levou os ativistas a se engajarem. “Há um sentimento de co-responsabilidade comungada mundialmente para com as comunidades indígenas e para com o bioma amazônico. Somos contra um projeto de desenvolvimento na contramão de um futuro sustentável”.

Segundo estudos, a inundação da barragem vai deixar milhares de quilômetros de floresta nativa submersa, o que gerará a liberação de gás carbônico e gás metano, contribuindo, dessa forma, para o aquecimento global.

Indígenas não estão resguardados

Contrariando exigências da OEA (Organizações dos Estados Americanos) e da Organização das Nações Unidas (ONU), o IBAMA (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) liberou a liminar autorizando o início da obra. Já houve conflitos entre a polícia e a população de Altamira, que está sendo retirada das suas terras (leia: Usina de Belo Monte faz suas primeiras vítimas).

Também os índios já sentem os efeitos do prenúncio da construção. Segundo Morgado, integrantes da etnia Kalapalo relatam que indígenas estão se deslocando para onde será construída a barragem. Eles tentam impedir a construção. Os que se opõem a Belo Monte sofrem ainda com ameaças de morte.

Na sua coluna “Conversa com a Presidenta”, Dilma Rousseff afirmou que nenhuma terra indígena será atingida pela hidrelétrica. “Belo Monte será fundamental para o desenvolvimento da região e do país. Os povos indígenas não serão removidos de suas aldeias”, afirmou.

"De fato nenhum indígena será inundado (sic), mas do ponto de vista do significado que o índio tem com seu ambiente, não é possível compensar o impacto. Também será afetada a comunidade de peixes – base de alimentação desses povos, o que também não será compensado. Eles e as comunidades ribeirinhas também terão dificuldades para se deslocar. Já a conseqüência ao sistema ecológico, essa não é possível mensurar, nem compensar”, destaca Morgado.

 

Confira a programação para as cidades brasileiras:

São Paulo: Avenida Paulista, em frente ao Masp (Museu de Arte de São Paulo) às 13h
Rio de Janeiro (RJ): Posto 4, na Avenida Atlântica, em Copacabana às 14h
Salvador (BA): Praça Campo Grande, até a Praça Municipal, às 14h
Fortaleza (CE): Praça José de Alencar, Centro, às 13h
Recife (PE): Praça do Derby, às 14h
Brasília (DF): em frente ao Congresso Nacional, às 14h 
João Pessoa (PB): feirinha de Tambaú, às 14h 
Belém (PA): Praça da República, em frente ao Teatro da Paz rumo ao Ver o Peso, às 08:30

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