“Ainda não tenho o costume de falar”, iniciou Nilsa Gomes, moradora da comunidade quilombola Santa Rita de Cássia, uma das quatro que existem há décadas na Área de Preservação Ambiental (APA) Chapada do Lagoão, em Araçuaí, no Vale do Jequitinhonha (MG).
A timidez ao microfone contrastou com a firmeza de seus gestos. Sem recorrer a discursos teóricos, a filha de agricultores tradicionais usou a própria colheita como argumento. Ela dispôs sobre a mesa, um a um, os frutos retirados de uma área preservada: sementes, milho, feijão, araçá, mandioca, farinha e mel. “Eu trouxe o óleo que é produzido na nossa região”, disse, exibindo a produção local como prova física de que o território está vivo.
O relato da agricultora e os frutos de sua colheita foram apresentados durante o encontro Remar contra a correnteza por justiça socioambiental, realizado nos dias 21 e 22 de março de 2026, em Araçuaí.
O evento reuniu o coletivo Ecologia Integral do Vale do Jequitinhonha, representantes de 75 organizações da sociedade civil, movimentos sociais, Igreja Católica, instituições de ensino e lideranças locais. O objetivo central é fortalecer a articulação contra empreendimentos minerários que, segundo os organizadores, objetivam o lucro, em detrimento da vida e das águas.

Nilza Gomes, da Comunidade de Santa Rita de Cássia, em defesa da Chapada do Lagoão – Foto: Katia Torres
A comunidade de Santa Rita de Cássia fica no entorno da Chapada do Lagoão. Recentemente, uma articulação do prefeito Tadeu Barbosa (PSD), aprovada pela maioria da Câmara Municipal, reduziu em mais de 50% a Área de Proteção Ambiental local. O contraste entre o território apresentado pela quilombola e o avanço do setor minerário extrativista, justificado pelo discurso desenvolvimentista, é um dos exemplos de mobilização presentes no Vale do Jequitinhonha.
O marco do encontro foi a publicação da “Carta do Coletivo Ecologia Integral do Vale do Jequitinhonha”, assinada por cerca de 140 pessoas. O documento oficializa um cenário de violações de direitos humanos impulsionado pela mineração — com destaque para o lítio — e pela monocultura do eucalipto.
A carta denuncia o adoecimento das comunidades, devido à poeira e às explosões diárias de rochas, a cooptação de associações quilombolas e formaliza que pelo menos cinco defensores do território, incluindo lideranças indígenas, estão sob ameaça de morte na região.
De Roma ao Jequitinhonha
A mobilização no Vale do Jequitinhonha não é um evento isolado. No mesmo fim de semana do encontro em Araçuaí, a sala de imprensa da Santa Sé, no Vaticano, lançou a Plataforma de Desinvestimento no Setor Mineiro para promover o cuidado da “Casa Comum” e proteger as comunidades locais.

Acolhida dos participantes do Encontro de Lideranças do Vale do Jequitinhonha no pátio do Centro Diocesano de Araçuaí – Foto: Katia Torres
A iniciativa liderada pela rede Igrejas e Mineração junta mais de 40 instituições católicas em uma campanha global de coerência ética e compromisso ecológico. O subsecretário do Dicastério para o Serviço do Desenvolvimento Humano Integral, cardeal Fabio Baggio, presidiu a sessão de apresentação pública do projeto na sala de imprensa da Santa Sé.
“A Plataforma para o Desinvestimento na Indústria Mineira que hoje se apresenta pretende ser um sinal concreto dessa necessária conversão”, indicou o responsável do Vaticano.
A iniciativa tem um objetivo financeiro claro: pressionar instituições católicas e a sociedade civil a retirarem seus investimentos de mineradoras que violam direitos humanos, sufocando o financiamento do que classificam como “neocolonialismo verde”.
A articulação ocorrida em Araçuaí, mas que representa todo o Vale do Jequitinhonha (alto, médio e baixo), conta com o suporte da Comissão Episcopal Especial para Ecologia Integral e Mineração (CEEM) da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB).
Criada em 2017 para assessorar bispos e comunidades sobre os impactos da mineração predatória, a comissão atua na promoção da encíclica Laudato Si — documento publicado pelo Papa Francisco em 2015 que critica o modelo de desenvolvimento predatório e convoca a sociedade para a defesa do meio ambiente, chamado por ele de “Casa Comum”.
Sua missão se divide em frentes estratégicas: assessoria territorial a comunidades afetadas, ação pastoral em defesa da “Mãe Terra”, incidência política em espaços de poder, busca por justiça e reparação para vítimas de crimes minerários, e a publicação de manifestos.
O bispo diocesano de Araçuaí, Dom Geraldo Maia, confirmou a articulação direta entre o evento local e a ação em Roma. Segundo ele, os atos ocorreram em uma “sintonia muito bonita” para expor as demandas do Vale do Jequitinhonha ao mundo.
“São organizações da igreja procurando unir essas reflexões como estamos fazendo aqui, levando as demandas sobre os impactos da mineração para que a ‘igreja do mundo todo’ possa ter consciência e assumir essa missão de preservação da ‘Casa Comum’”, afirmou.

Bispos Dom Geraldo Maia e Dom Dom Francisco Cota celebram missa em Itira – Foto: Katia Torres
Extrativismo predatório
A crítica ao modelo extrativista foi endossada por Dom Francisco Cota (Dom Serafim), bispo de Sete Lagoas e presidente da Comissão Episcopal Regional para a Ecologia Integral e Mineração (Cerem). Alinhado ao Papa Francisco, Dom Serafim classificou a atual dinâmica da região como um “extrativismo predatório” e um “modelo econômico que mata pessoas e destrói territórios”.

Dom Francisco Cota, Bispo Diocesano de Sete Lagoas, em apoio ao Coletivo Ecologia Integral do Vale do Jequitinhonha – Foto: Katia Torres
A pauta também reverberou no legislativo estadual. Durante o evento, o deputado estadual Dr. Jean Freire (PT) entregou uma medalha de honra da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) a Dom Geraldo Maia. Ao justificar a homenagem, o parlamentar colocou seu mandato à disposição das pautas da CNBB.
“Eu acredito no que o Papa Francisco sempre disse sobre cuidar dessa ‘terra mãe’. O senhor tem sido fundamental nos quilombos, nas comunidades indígenas, tradicionais, na defesa do nosso povo”, declarou o deputado.
Dom Geraldo recusou o mérito pessoal e dedicou a medalha às comunidades afetadas: “Eu dedico esta medalha a todos aqueles que lutam pela ecologia integral, aos que lutam pela preservação da ‘Casa Comum’, dos nossos territórios, das comunidades quilombolas e indígenas”.
Escassez hídrica e monocultura do eucalipto
A escassez hídrica que castiga o Vale do Jequitinhonha frequentemente é justificada por fatores climáticos, mas os dados apresentados durante o evento Remar Contra a Maré apontam para um esgotamento sistemático e legalizado. Valmir Macedo, coordenador do Centro de Agricultura Alternativa Vicente Nica (CAV), apresentou registros pluviométricos desde 1948 que sustentam que houve manutenção da média histórica de 900mm anuais de chuva na região.
O secamento das nascentes nas chapadas da região, segundo os dados do CAV, tem raízes na substituição do cerrado pela monocultura do eucalipto a partir de 1970 — que causa um rebaixamento de 10 centímetros por ano no lençol freático. A dinâmica foi formalmente denunciada na carta do coletivo, que aponta o eucalipto como uma planta exótica com poder de evapotranspiração até quatro vezes maior que a mata nativa.
O documento relata que as chapadas, antes de uso comum para extrativismo e recarga hídrica, foram tomadas pelo capital internacional. Sem essas áreas, as populações camponesas foram empurradas para as grotas, o que gerou degradação do solo, contaminação por agrotóxicos e perda dos meios de subsistência. Somada a esse passivo histórico, ocorre agora a expansão acelerada da mineração em municípios como Araçuaí e Itinga.
A urgência da preservação é reforçada por quem vive no território. O agricultor e presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Araçuaí, Antônio Gomes, de 76 anos (pai de Nilsa Gomes), resumiu a preocupação da comunidade de Santa Rita de Cássia.
“A gente tenta defender a área, porque tem muitas famílias que sobrevivem lá. Se vier para desmatar, tirar a vegetação natural, essas nascentes não vão sobreviver. E a gente precisa das nascentes”, afirmou.
A gestão dessa água, no entanto, esbarra na defasagem de seus instrumentos legais. O professor Rafael Petruceli, do Instituto Federal do Norte de Minas Gerais (IFNMG – Campus Araçuaí), demonstrou que o Plano Diretor da bacia do Rio Jequitinhonha — mecanismo basilar exigido pela Política Nacional dos Recursos Hídricos — data de 2010 e carece de atualização. É sob essa falta de monitoramento que novas outorgas de captação vêm sendo concedidas pelo Estado para a indústria extrativista.
A disparidade no tratamento do recurso hídrico foi denunciada por Cléa Amorim, representante da Cáritas no Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio Araçuaí (CBH-JQ2). Segundo ela, enquanto as grandes empresas acumulam uma inadimplência de mais de 50% no pagamento pelo uso da água na região, a Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa) repassa a taxa para a conta da população.
Amorim explicou que, até novembro do ano passado, o valor cobrado pelo uso da água era detalhado nas faturas, mas a partir deste ano passou a ser embutido. “Essa conta foi camuflada dentro das tarifas. Não está mais explícita”, afirmou a representante, destacando que a alteração foi confirmada durante a plenária do comitê realizada na semana anterior, em Itamarandiba.
Esse cenário de desigualdade regional reflete uma lógica nacional. Um levantamento da Agência Pública revela que apenas 50 empresas no Brasil têm autorização para usar uma quantidade de água equivalente ao consumo de metade da população do país, evidenciando a concentração do acesso aos recursos hídricos pelo setor privado.
Poeira, cavas e o colapso na saúde pública
A mudança no perfil de extração mineral no Vale do Jequitinhonha trouxe consequências diretas para a saúde pública. O contraste histórico é evidente: a Companhia Brasileira de Lítio (CBL) operou na região por mais de três décadas utilizando o método de mineração subterrânea, sem registros de distúrbios generalizados de poeira ou colapso no sistema de saúde local.
O cenário mudou drasticamente com a chegada da Sigma Mineração, que optou pelo método a céu aberto (open-pit) para reduzir custos operacionais. A abertura de cavas a céu aberto e as explosões constantes geram nuvens de poeira que cobrem as comunidades do entorno, como Piauí Poço Dantas, em Itinga.
A realidade diária dessa comunidade é relatada pela liderança Ana Cláudia Gomes, que explica sobre o impacto constante: “Você chega na casa de todo mundo e todo mundo vai reclamar da mesma coisa: garganta coçando, alergia. Você passa a mão na mesa e vê aquele pó”.
Ela relatou ainda que a presença da mineração inviabiliza a instalação de cisternas adequadas por estarem em áreas consideradas de risco, tornando os moradores dependentes de caminhões-pipa e da água do rio, que, segundo a moradora, sofrem com a contaminação por rejeitos.
Especulação e cerco ao território
A pressão sobre a água e a saúde pública é apenas a ponta de um avanço territorial na região. Dados do projeto LIQUIT: Vozes dos Territórios, vinculado ao Observatório dos Vales da Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri (UFVJM), revelam a dimensão do cerco.
O nome da iniciativa é um acrônimo que se refere à diversidade de populações locais, povos indígenas, quilombos e comunidades tradicionais, além de remeter à rede hidrográfica do Rio Jequitinhonha.
A pesquisa — que busca mapear e articular as vozes das comunidades afetadas pela mineração de lítio e é financiada pela Academia Britânica e pelo Governo do Reino Unido — aponta que, até fevereiro de 2026, havia 412 processos ativos de exploração do mineral nos municípios da região. Desse total, a maioria (310 processos) encontra-se em fase de autorização de pesquisa, abrangendo mais de 325 mil hectares requeridos.
A geógrafa Aline Weber Sulzbacher, durante visita do coletivo a Poços Dantas, ressaltou aos moradores que, para garantir a independência do levantamento, os organizadores do projeto LIQUIT não recebem financiamento de partidos políticos nem possuem vinculação eleitoral.
A iniciativa é conduzida estritamente por uma equipe multidisciplinar e internacional, composta por sociólogos, geógrafos, historiadores, psicólogos, cientistas políticos, assistentes sociais, professores, antropólogos, economistas, arquitetos, fotojornalistas e pesquisadores comunitários. O escopo de trabalho do grupo tem como único objetivo a produção de dados técnicos e científicos para contribuir com a justiça social e ambiental no território.
O levantamento do LIQUIT detalha como a mineração se instala e gera tensões no território. Os pesquisadores identificaram o aumento da circulação de pessoas estranhas às comunidades, a intensificação do interesse pela compra de terras, disputas para ocupar cargos em associações comunitárias e investimentos financeiros expressivos em campanhas eleitorais municipais.
O estudo aponta ainda que, durante as audiências públicas, as comunidades não se sentem ouvidas e que os relatórios técnicos dos empreendimentos frequentemente omitem a existência de povos tradicionais, além de carecerem de aprofundamento sobre os danos à dinâmica hídrica.
A pesquisa também denuncia o que classifica como “mentira institucionalizada”: propagandas frequentes para convencer a população de que os benefícios são inevitáveis, ataques a pessoas críticas aos empreendimentos e a difusão de informações que geram pânico. Segundo os dados apresentados, o direito inalienável à água tem sido transformado em moeda de troca e alvo de ameaças veladas.
O projeto também desmistifica o discurso econômico em torno da Compensação Financeira pela Exploração Mineral (CFEM). Segundo o LIQUIT, o “dinheiro da mineração” recebido pelos municípios gera expectativa, mas traz instabilidade e dependência, representando apenas uma pequena parte da riqueza extraída.
A maior parte dos recursos e lucros é enviada ao exterior. O estudo alerta que a CFEM não pode ser confundida com compensação por danos ambientais ou sociais, e que o valor repassado não inclui a reparação pelas terras e ambientes que se tornam inutilizáveis após o fim da exploração.
Assédio institucional, dívidas e judicialização
A escalada forçou reações até mesmo do poder público local. Durante a escuta na comunidade de Piauí Poço Dantas, o prefeito de Itinga, João Bosco, criticou a histórica especulação minerária e a falta de transparência de sistemas oficiais do governo federal, como o Sistema de Informação Geográfica da Mineração (SIGMINE).
“A gente vai limitar o uso do território do nosso município. Tem uma série de ações que a gente está fazendo para conseguir mitigar essa especulação minerária”, anunciou o prefeito.
A investida sobre os territórios tradicionais ganha contornos de cooptação e assédio institucional. Um caso emblemático envolve a mineradora Atlas Lithium na Chapada do Lagoão e foi reportado na época pelo Brasil de Fato. Segundo denúncia formalizada pela Federação das Comunidades Quilombolas de Minas Gerais (N’Golo) na Justiça Federal (Processo nº 6017327-68.2025.4.06.3816), a empresa patrocinou uma eleição fraudulenta para assumir o controle da Associação Quilombola do Girau.
A manobra, barrada pelo Ministério Público Federal, tentava usar a oferta de obras de infraestrutura como moeda de troca para burlar o direito legal da comunidade à Consulta Prévia, Livre e Informada (CPLI).
A contradição do modelo extrativista ganha contornos ainda mais graves quando se analisa a relação fiscal e jurídica da Sigma Mineração com o município de Araçuaí. Segundo denúncia recente na Câmara Municipal, a empresa lidera isoladamente a dívida ativa da cidade, acumulando um passivo de R$ 3 milhões em impostos municipais não recolhidos, referentes a 2024 e 2025.
A ausência de cobrança por parte da prefeitura — que alega crise financeira e atrasa direitos de servidores — contrasta frontalmente com a expansão internacional da mineradora, que no mesmo período anunciou a venda de 250 mil toneladas de lítio e o acesso a uma linha de crédito de US$ 96 milhões (cerca de R$ 480 milhões).
Já no campo dos danos consolidados, a Sigma enfrenta o peso de uma robusta judicialização. Em 16 de dezembro de 2025, o Ministério Público do Estado de Minas Gerais (MPMG), com base no Inquérito Civil nº 04.16.0034.012372020.24-64, ingressou com uma Ação Civil Pública contra a empresa.
A ação, que atribui à causa o valor de R$150 milhões, detalha os severos impactos do projeto Grota do Cirilo: poeira excessiva, poluição sonora noturna, tremores que racham casas e o isolamento social de famílias ‘encravadas’ entre as estruturas da mina e o rio.
O MPMG exige, em caráter de urgência, o depósito de R$ 50 milhões para garantir a reparação dos danos morais coletivos, a suspensão imediata das operações no período noturno, a implementação de um Programa de Reassentamento Opcional Emergencial e a proibição definitiva de práticas de ‘greenwashing’ (propaganda sustentável enganosa) por parte da companhia.
A memória como resistência
Diante do avanço do capital extrativista e das ameaças de morte que pairam sobre as lideranças locais, o evento Remar Contra a Maré buscou na memória a sua principal ferramenta de resistência. O encontro foi encerrado com a Romaria das Águas, realizada no encontro dos rios Araçuaí e Jequitinhonha, no distrito de Itira.
O ato foi marcado pela presença da imagem de Nossa Senhora da Abadia d’Água Suja, designada como “padroeira dos atingidos pela mineração”. O maior simbolismo, no entanto, estava exposto juntamente com a imagem. Durante a romaria, Frei Pedro Neto (Ordem dos Frades Menores) revelou que o terço que acompanha a santa possui 272 contas de Ave Maria. Ele foi confeccionado e doado pelas próprias famílias das vítimas do rompimento da barragem da Vale em Brumadinho, representando cada uma das 272 pessoas mortas no crime socioambiental.

Nossa Senhora da Abadia d’Água Suja é transportada de canoa pelas águas no encontro entre o Rio Jequitinhonha e Araçuaí (Comunidade de Itira) – Foto: Katia Torres
O terço viaja com a padroeira em suas peregrinações, unindo a dor do passado recente de Minas Gerais ao risco iminente denunciado hoje no Vale do Jequitinhonha.
Para as comunidades que colocam os frutos da terra na mesa para provar que existem e trabalham, a mensagem final do encontro foi um recado direto aos gabinetes políticos e conselhos de acionistas.
Durante a romaria, Dom Serafim foi contundente: “Não vamos abaixar a cabeça. Nós estamos aqui por justiça socioambiental, para defender a vida digna deste povo que aqui vive há tanto tempo. Esse povo, que tem identidade e cultura, é um povo de resistência”.
Leia na íntegra a Carta do Coletivo Ecologia Integral do Vale do Jequitinhonha.
Outro lado
O Brasil de Fato MG entrou em contato com as empresas Sigma Lithium e Atlas Lithium, bem como com as prefeituras de Araçuaí e Itinga, e a Copasa, buscando seus posicionamentos.
A Prefeitura de Itinga informou que, apesar de o município ter um histórico minerador, “defende a exploração responsável e sustentável”. Destacou a aprovação da Lei 435/2025 para fiscalizar a mineração e a elaboração de um Plano Diretor com limitações para essa atividade. A prefeitura também ressaltou que a área de mineração causadora de transtornos à comunidade de Piauí Poço Dantas, embora parte da população seja de Itinga, está em território de Araçuaí.
A Copasa comunicou que irá apurar as denúncias apresentadas.
Sigma Lithium, Atlas Lithium e Prefeitura de Araçuaí não responderam aos questionamentos até a publicação desta reportagem. O espaço segue aberto para manifestações.

