28/10/2026
Fonte:https://www.brasildefato.com.br/2026/10/28/saiba-como-votaram-os-moradores-de-favelas-terras-indigenas-e-quilombos/
A maioria dos moradores das favelas, quilombos e terras indígenas votou pela reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), segundo levantamento da Ipse Global, empresa especializada em pesquisas e análises de opinião.
O melhor resultado do petista foi entre os quilombolas, com 74% dos votos válidos, um aumento de 1,2 ponto porcentual em relação ao primeiro turno. O senador e candidato derrotado à presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL), passou de 27,2% para 26%. Foram analisados 495 territórios quilombolas, somando 617.865 eleitores.
Nos Territórios Indígenas (TIs), Lula venceu com 71% dos votos válidos do segundo turno, um aumento de dois pontos percentuais em relação ao primeiro. Flávio teve 29%. Foram analisadas 573 TIs, somando 559.257 eleitores. Os eleitores indígenas que moram em cidades não foram contabilizados, pois não há esse recorte.
Nas favelas, Lula teve um desempenho menor: 54,7% no segundo turno. O número, no entanto, um crescimento maior em relação ao primeiro turno: 3,5 pontos percentuais. Já Flávio acabou com 45,3% no segundo. Lula ganhou 2,13 milhões de votos entre os dois turnos, enquanto Flávio conquistou 575,8 mil. Foram analisados 12.607 territórios, com 26.879.510 eleitores.
A menor proporção de votos, apesar de números absolutos maiores, aponta a heterogeneidade dos eleitores das comunidades. “A favela tem muito puxador de votos de vários partidos ali. Um trabalho ostensivo que não é apenas da esquerda, mas da direita também”, aponta o diretor-executivo da Ipse Global, Leonardo Magalhães.
O levantamento foi feito a partir de dados brutos do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e pode ser filtrado por estado ou município na plataforma que apresenta os dados compilados. Além de seções eleitorais dentro dos territórios, a pesquisa sistematizou dados das seções eleitorais que estão a até 50 metros dessas áreas. Alguns dos dados podem ser atualizados até quinta-feira (29), quando o TSE deve apresentar as atas detlhadas de votação. Para ter acesso ao total da pesquisa, clique aqui no site da Ipse Global.
Magalhães destaca ainda que há, principalmente nos centros urbanos, uma disseminação da ideia do mérito e do empreendedorismo. “A pessoa não quer escutar que ela conseguiu, graças ao governo, porque você tira o mérito dela. A favela reconhece a existência das políticas públicas, mas há um desejo de reconhecimento do tipo: ‘Eu trilhei o caminho, fui eu quem ralou. Não foi governo’”, aponta o pesquisador.
“Se há informalidade, é normal que os moradores tenham assumido a rejeição à CLT. O ideário de sucesso, que é ter uma vida de empresário, está presente nesses espaços”, complementa.
Já os bons resultados nas TIs e quilombos podem ser explicados pela maior coesão das comunidades e pela clareza dos benefícios das políticas públicas implementadas pelas gestões do atual presidente. “Na verdade, esses votos de Flávio Bolsonaro, mesmo em percentual, mostram uma parte dessa população que tem o desejo de sair dos territórios e se alinhar ao discurso de ascensão social comum na nossa sociedade”, detalha Magalhães.
A compilação da Ipse Global indica que a campanha do vira-voto para Lula foi eficaz com relação aos que deixaram de votar ou votaram em branco e nulo no primeiro turno. Nos quilombos, 79,2% dos que haviam anulado ou votado em branco escolheram o petista na segunda rodada, contra apenas 0,2% de votos para Flávio. Nas TIs, 65% dos brancos e nulos foram convertidos para Lula, contra 1,6% para Bolsonaro. Nas favelas, 74,9% desse grupo votaram no atual presidente, contra 26,6% que escolheram o senador.
Entre os que não haviam votado, 76,3% dos quilombos decidiram por Lula, enquanto apenas 1,2% por Flávio. Nas TIs, 86,3% dos ausentes no primeiro turno escolheram o presidente reeleito, enquanto 1,9% escolheram o candidato derrotado. Nas favelas, 56,4% dos ausentes escolheram o petista e 26,6%, o bolsonarista.
Nas favelas, a abstenção caiu de 21% para 18,7%. Nas TIs, esse número caiu apenas 0,8 ponto percentual, passando a 21%. Nos quilombos, a abstenção foi de 22% nos dois turnos.
Já os votos dos candidatos derrotados no primeiro turno tiveram uma migração bem diferente entre os três tipos de territórios. Entre os quilombolas, por exemplo, 49,4% desses votos foram para Lula contra 40,4% de Flávio. No caso das favelas, apenas 37,9% desses eleitores escolheram o petista, contra 45,6% que votaram no bolsonarista. Entre os indígenas, apenas 12,2% dos que votaram em outros candidatos escolheram o presidente reeleito, enquanto 81,4% optaram pelo senador derrotado.
Em relação aos estados, a Bahia teve o melhor resultado para Lula entre os moradores das favelas: 72,6%, um aumento de 2,6 pontos percentuais em relação ao primeiro turno. Flávio teve 27,4% dos votos.
Em Minas Gerais, estado que mudou o placar no segundo turno, Lula teve 52% contra 48,3% na primeira rodada. Flávio caiu de 51,7% para 48% no segundo turno. No Rio de Janeiro, Flávio manteve a liderança nas favelas, mas com queda. Lula passou de 44% para 48,5%, enquanto o bolsonarista foi de 56% para 51,5%. Em São Paulo, o petista ganhou com 56,6% dos votos dos moradores dessas comunidades, contra 43,4%.
Os quilombolas do Amazonas foram os que mais aderiram à candidatura Lula, com 94,9% dos votos, seguidos de Piauí (89,9%), Pernambuco (88,8%), Maranhão (88,4%), Bahia (84,7%) e Pará (81,8%).
Em relação às terras indígenas, Sergipe deu 95,4% dos votos para Lula, seguido do Tocantins (92%), Amapá (89,6%), Maranhão (89,1%) e Rio Grande do Norte (79,3%).