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Quem foi Eloy

Como dirigente sindical, viveu intensamente o apoio à luta de organização e resistência dos posseiros de seu município e da região. Eleito Delegado Sindical do Distrito de Serra das Araras, em 1978, ele liderou a resistência dos posseiros contra todos os invasores. Presidente do Sindicato de S. Francisco desde 1981 ele era uma das lideranças mais combativas no Norte de Minas, conhecido em todo o Estado.

As ameaças não foram esparsas. Foram constantes por parte dos grileiros e até do Juiz de Direito da cidade que várias vezes ameaçou psicologicamente.

“Trabalhador rural não é covarde” – Dizia. Denunciava as pressões, despejos e queima de e casas a todas as entidades que podiam dar algum apoio. Combatia toda violência que caia sobre os trabalhadores: “Nossa arma é união, organização e a verdade”.

Este assassinato atingiu não só o Eloy, mas também a organização do povo. Atingiu um líder que doou sua sociedade para que os pobres deixem de ser objetos dos poderosos.

Eloy era um homem de fé profunda. A todo o momento ligava sua luta à libertação dos Hebreus no êxodo.“Deus está do nosso lado” era a fé que animava sua luta.

Morreu aos 54 anos, deixando a esposa e 10 filhos, também ameaçados pelos mesmos grileiros.

A LUTA PELA TERRA NO VALE DO SÃO FRANCISCO

O Norte de Minas é terra de ocupação muito antiga. Área cheia de posseiros morando em Terras devolutas. Nos últimos vinte anos as grandes empresas e o latifundiário descobriram o Norte de Minas. É a região dos maiores latifúndios e dos maiores conflitos de terra. O eucalipto e o boi crescem a poder de jagunços, capangas pisando em cima dos posseiros.

A desapropriação da Fazenda Vereda Grande

Na Fazenda (município de São Francisco) moravam 36 famílias de posseiros muito antigos. O maior latifundiário de Minas, Antonio Luciano, tentou se apoderar dessas terras, desviando o Rio Urucaia. Os posseiros impediram a entrada das maquinas e exigiram uma posição clara do Governo. O Incra desapropriou a fazenda do pretenso dono em 1983. apesar da desapropriação, Antonio Luciano continuou a pressionar os posseiros.

FAZENDA MENINO

Junto à posse da família de Eloy, começa a fazenda Menino. Enorme fazenda de 90.000 ha., ocupada por grileiros e 220 posseiros. Os Sem-terra da região, junto com os posseiros exigiram do governo que desarme os jagunções dos grileiros. Em vez disso, o delegado especial tem fiscalizado a organização dos posseiros e trabalhadores sem terra.

Exigir que a Fazenda Menino tenha PAZ e TRABALHO para os Sem Terra da região é uma porção da herança que ELOY deixa para nós.

 

REPORTAGENS

 

HÁ 33 ANOS SÃO FRANCISCO PERDIA UM GRANDE LÍDER

Editores: João Naves de Melo, Dirceu Lelis de Moura e Herbate Caramuru Sobrinho.

Fonte: http://portalveredas.com.br/2017/12/22/ha-33-anos-sao-francisco-perdia-um-grande-lider/

Trinta e três anos sem Eloy Ferreira da Silva. Na data de 16 de dezembro de 1986 São Francisco perdia um grande líder que lutou – e custou a sua vida – na defesa dos trabalhadores rurais (posseiros, vazanteiros), os menos favorecidos. Sem dúvida, seus questionamentos incomodavam muita gente, inclusive o sistema de governo da época (governo militar) que já estava perto do fim.

Morador na Comunidade de Ribeirão de Areia (distrito Serra das Araras), município de São Francisco, hoje Chapada Gaúcha, nascido em 1º de dezembro de 1939. Em 1978 foi escolhido delegado sindical de base, organizando os posseiros de toda aquela região na luta pela posse da terra. Eleito em 1981 presidente do Sindicato de São Francisco, foi reeleito em 1984, ano em que foi condecorado com a Medalha da Inconfidência. Foi covardemente assassinado no dia 16 de dezembro de 1984, deixando esposa e dez filhos.

Na década de 80 o governo injetou muito dinheiro nas reflorestadoras que se instalaram na região. O governo legitimava as terras para os grandes grupos, que acessavam recursos financeiros para implantação de plantio de eucaliptos e pinus. Muitas vezes os projetos nem eram implantados. Ao mesmo tempo, os posseiros eram seduzidos a venderem suas posses por preço irrisório, isso quando não eram expulsos em nome do “Desenvolvimento”. Posseiros esses que Elói sempre defendeu como legítimos donos de seus territórios e cobrava melhorias para o homem e a mulher do campo, como direitos previdenciários, acesso a crédito, regularização fundiária, estradas, energia elétrica, acesso à educação e tantos outros benefícios.E também lutava em prol da democracia, o que na época incomodava o judiciário, os governantes, os latifúndios e o governo militar (ditadura).

Eloy morreu, mas a luta continua. Seu nome permanece vivo na memória do povo e é lembrado no Brasil inteiro pelo movimento sindical e nos movimentos sociais. Eloy é homenageado em Chapada Gaúcha com nome de rua, em Montes Claros com a Casa do Trabalhador (polo da Fetaemg), em Urucuia com nome de uma escola rural; em Belo Horizonte, ele dá nome a uma rua no bairro Céu Azul e a uma entidade, o CEDEFES (Centro de Documentação Eloy Ferreira da Silva), organização sem fins lucrativos, de caráter científico, cultural e comunitário, de âmbito estadual, fundada em 1985, na cidade de Contagem; em São Francisco é homenageado na casa do Trabalhador Rural, anexo do Sindicato dos Trabalhadores Rurais; mais distante, em Mato Grosso, é homenageado na cidade de Ribeirão Cascalheira,com o seu nome na Galeria dos Mártires, entre outras homenagens.

Eloy foi um autêntico sertanejo, alferes da Folia de Reis, um grande líder sindical, um trabalhador rural, agricultor, geraizeiro, veredeiro, como queiram chamar, mas nunca fugiu da luta em favor de sua classe, o que custou sua própria vida.

Nossas homenagens aos familiares, que sofrem sua falta há 33 anos.

A falta que ele faz é para todos nós.

“O que estamos vendo são trabalhadores rurais sendo assassinados por aqueles que toda a vida os massacraram, que toda vida os exploraram” ELOY FERREIRA DA SILVA

“O que estamos vendo são trabalhadores rurais sendo assassinados por aqueles que toda a vida os massacraram, que toda vida os explorara

Homenagem dos primos: José  Raimundo  e Gelma Ribeiro Gomes.

Cordel em homenagem ao saudoso Eloi:

Eloi

Cordel em homenagem ao saudoso Eloi:

 

Eloi Ferreira da Silva

Era filho de lavrador

Não era estudado

Mas na luta era doutor

Veio de Goiás

E foi um trabalhador.

 

Dezembro de oitenta e quatro

Foi que ele nos deixou

Morreu a sua voz

Mas o grito continuou

Já se faz trinta anos

Que pelo povo ele entregou.

 

Todo o Norte de Minas

Chorou a sua saudade

O povo ficou de luto

Em respeito à sua lealdade

Um profeta do sindicato

Que só falava a verdade.

 

No Vale do Ribeirão

Era onde ele morava

Defendia os pobres

E pela a justiça lutava

Neste sertão esquecido

Onde a injustiça mandava.

 

José Wilson Ribeiro Gomes

13/03/2014

Placa da Casa do Trabalhador – FETAEMG – Montes Claros

Ferreira da Silva

CASA DO TRABALHADOR RURAL ELOY FERREIRA DA SILVA

Presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de São Francisco.

Nasceu na Serra das Araras, Município de São Francisco, no dia 1º de dezembro de 1939. Em 1978 foi escolhido Delegado Sindical de Base, organizando os Posseiros de toda aquela região na luta pela posse da terra. Eleito em 1981 Presidente do sindicato, foi reeleito em 1984, ano em que foi condecorado com a Medalha da Inconfidência.

Foi covardemente assassinado no dia 16 de dezembro de 1984, deixando esposa e dez filhos.que estamos vendo são trabalhadores rurais

“O qustamos vendo são trabalhadores rurais sendo assassinados por aqueles que toda a vida os massacraram, que toda vida os exploraram”. 

“O que estamos vendo são trabalhadores rurais sendo assassinados por aqueles que toda a vida os massacraram, que toda vida os exploraram”. ELOY FERREIRA DA SILVA

ELOY FERREIRA DA SILVA

sendo assassinados por aqueles que toda a vida os massacraram, que toda vida os exploraram”. ELOY FERREIRA DA SILVA

HOMENAGEM DOS SINDICATOS DE TRABALHADORES RURAIS E FETAEMG

DIRETORIA TRIÊNIO 1984 A 1987