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“Eu pensei, agora é a minha chance de dar uma casinha para as minhas filhas”

Desemprego, aluguel caro, conflitos e a violência sofrida por algumas mulheres motivou os moradores a ocupar o terreno - Créditos: Matheus Sá Motta
Desemprego, aluguel caro, conflitos e a violência sofrida por algumas mulheres motivou os moradores a ocupar o terreno / Matheus Sá Motta

A ocupação Guarani Kaiowá, carinhosamente chamada de GK, comemorou seis anos de existência no último sábado, 6 de abril. A maioria das pessoas que participaram da ocupação do terreno residia na Vila Pérola, favela de estruturas precárias localizada na região do bairro Ressaca, em Contagem, na Região Metropolitana de Belo Horizonte (MG). Hoje, elas lembram suas histórias e trajetórias, que se cruzaram para um objetivo comum: a conquista da moradia e da melhoria de vida.

Desemprego, aluguel caro, morar de favor, conflitos e até mesmo a violência sofrida por algumas mulheres motivou um grupo de moradores a ocupar um terreno próximo à Vila Pérola que estava abandonado há 20 anos. “Esse lugar aqui tinha mato com 4 metros de altura. Acontecia coisa errada aqui, sujeira, porcariada, nós entramos e arrumamos tudo”, conta a moradora Das Neves.

Já Willer tinha uma casa na Vila Pérola, porém foi despejado para a construção de uma avenida e, segundo o morador, o valor da indenização foi insuficiente para que ele se reorganizasse com sua família. Nesse período Willer sofreu um infarto “de tanta preocupação”. Ele considera a ocupação mais do que um triunfo, uma conquista vital. “Aqui eu ganhei tempo de vida”, conforta-se. Willer, seus filhos e a esposa, Nancy, passaram a participar do movimento por moradia.

Naiara Rocha é outra moradora que precisava reconstituir sua vida. Antes de viver na ocupação, ela morava de favor em casa de parentes e sofria agressões e humilhações do ex-companheiro, quando resolveu se juntar às famílias que ocuparam o terreno. Hoje, Naiara tem sua casa e vive com suas três filhas.

“Eu pensei: agora é a minha chance de dar uma casinha para as minhas filhas, de ter um teto, né? Quem tem filho sabe o que eu estou falando. Fiquei no barraquinho de lona e dormindo até mesmo no relento. Isso me amadureceu como mãe. Porque quando a gente não tem condições, a gente sempre pensa ‘eu vou ser um João ninguém’, mas aqui, morando aqui, lutando e apoiando os moradores, lutando pelos direitos da gente, eu aprendi que não importa, você tem que sonhar sempre, não só sonhar como correr atrás do seu objetivo também”, analisa.

Seis anos de negociações

O grupo de moradores ocupou o local algumas vezes, sendo bem-sucedido na última tentativa, em 2013, com o apoio e inserção da organização política Brigadas Populares e de uma assessoria jurídica popular. Hoje, a ocupação encontra-se ainda em processo de negociação com o governo do Estado de Minas Gerais e com a prefeitura de Contagem. No final do 2018, segundo Marina Maia, militante do Movimento de Organização de Base (MOB), eles conseguiram uma reunião com Alex de Freitas, prefeito de Contagem, e representantes da Companhia de Habitação de Minas Gerais (COHAB), depois de ocuparem a COHAB na Cidade Administrativa.

“Ambos demonstraram interesse em solucionar o caso da Guarani, mas argumentaram que por conta de um momento de transição e trocas no governo após as eleições era inviável tomar qualquer medida definitiva. Mas vamos retomar em breve essa luta e exigir o que é de direito. E depois de tantas perdurações em meio aos jogos políticos dos de cima, acredito que estamos todos mais calejados e dispostos a ir até o fim”, descreve Marina.

Um passo à frente: construindo um centro comunitário

Como as necessidades e a luta não param, os moradores e o MOB constroem agora um centro comunitário na ocupação. O local que já funcionava como centro cultural, mas sem paredes e acabamentos, recebeu rodas de capoeira, festas e recebe há alguns anos uma oficina de dança do projeto Fica Vivo, do Governo de Minas.

“Ainda que essas pessoas tenham uma casa para morar, não basta. A ocupação está localizada em um território cercado por vulnerabilidades e isso influencia em diversos aspectos do cotidiano de todos. Um centro social é importante justamente por poder abrigar atividades que podem oferecer outras perspectivas de vida para as crianças, jovens e adultos”, argumenta Marina Maia.

A construção do centro comunitário está em sua fase final. “Com muito esforço, através de uma campanha de doação, erguemos toda a estrutura. Precisamos apenas de alguns acabamentos como o reboco e a parte elétrica. E inclusive precisamos de mais apoio e doação para finalizar esse processo”, incentiva. Para apoiar o término da construção, entre em contato com o MOB – MG no telefone (31) 99866-6811.

Edição: Rafaella Dotta