Nesta terça-feira, 21/09/10, o casal, Carlos Lopes da Conceição, 53 anos, e Ildete Peixoto Lopes, 47 anos, vazanteiros/pescadores, tiveram sua casa, suas plantações e criações destruídas e furtadas pelo Daniel Freitas Rezende, “advogado”. Este é filho do Fazendeiro José Wanderlino Rezende, ambos são residentes no município de Patos de Minas e são donos da Fazenda Passagem Real, município de Buritizeiro, limite com o município de Ibiaí.
Por volta das 7h30, Daniel, acompanhados de dois homens, foi até a cidade de Ibiaí na casa, onde se encontrava o Senhor Carlinhos e esposa. O mesmo apresentou um dos seus acompanhantes como sargento da polícia de Patos de Minas, o qual estava armado, porém sem uniforme. Numa tentativa de intimidação comunicou que estava ali para negociar a saída do casal da sua posse, apresentando documento para assinatura e possível pagamento. O casal, analfabeto, afirmou que não iria fazer nenhuma negociação sem uma orientação de pessoas confiáveis. Daniel se irritou e fez ameaças de derruba a casa e disse que os mesmos estavam proibidos de comparecerem no local da posse.
Às 13h00, o casal foi avisado por vizinhos que a sua moradia tinha sido derrubada.
Os agentes da Comissão Pastoral da Terra, em Buritizeiro ao serem informados acionaram a polícia militar que se dirigiu ao local e registrou o BO.
In Loco, foram encontrados funcionários da fazenda recolhendo a madeira que sobrou da demolição, haviam recebido ordens do Daniel de limpar a área. Segundo, um dos funcionários foi o próprio patrão que dirigiu o trator utilizado para demolir a moradia do casal. Foram levados vários pertences para a sede da fazenda, inclusive a tralha de pesca, dizendo que o Casal teria que ir buscar e pedir autorização ao mesmo. O casal que, além de vazanteiro, é pescador está impossibilitado de pescar. Sua subsistência está ameaçada, pois tiveram suas plantações destruídas, as criações desapareceram (cerca de 200 cabeças de galinhas).
O Sr. Carlos e Dona Ildete, são vazanteiros/pescadores, pais de 04 filhos, trabalharam na fazenda, conhecida como Passagem Real, do Sr. Wanderlino, por quase 20 anos sem registro algum. Neste tempo o pagamento que lhes era passado, era somente a metade do valor do dia de serviço. Segundo, Ildete, ela trabalhava nos serviços pesados tanto quanto o esposo, arrancando toco, plantando capim, batendo pasto, abrindo buracos, etc, usando ferramentas pesadas, como machado, enxadão, enxada e foices. Paralelamente a este trabalho de empregados, o casal trabalhava também, como meeiros, num outro terreno concedido pelo patrão. Este, portanto, explorava duas vezes os seus trabalhadores, pelo trabalho não pago ou mal pago e pela meia que exigia deles na colheita da roça.
A partir de 2000, devido o avanço da doença de Chagas, provavelmente, contraída nas mediações da própria fazenda, os mesmos não puderam mais exercer trabalhos pesados. Foi quando, procurando meio de sobrevivência, passaram a fixar residência, numa faixa de terra onde já trabalhava nestes anos todos, enquanto prestava serviços ao fazendeiro. Trata-se de uma média de 03 a 04 hectares, nos fundos da referida fazenda, a uns 100 metros até a encosta do rio São Francisco.
O conflito acirrou a partir da última semana de agosto/2010 com ameaças, derrubadas de cerca e introdução do gado na plantação do casal em setembro/2010 conforme denúncia anterior.
A comissão Pastoral da Terra repudia a violência do latifúndio coronelista que em pleno século XXI intitula-se como a própria lei e violenta os direitos humanos. Solicitamos aos órgãos responsáveis que tomem as providências cabíveis.