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EM DEFESA DA EFA BONTEMPO
Em defesa da educação do campo e de justiça social
01/07/2010

 

Prezadas/os amigas/os e companheiras/os,
 
Precisamos do apoio de todas e todos contra a prática de opressão, simbolizada com a
ação de despejo da EFA Bontempo, no município de Itaobim, no Vale do Jequitinhonha.
 
Para além de fazer valer o direito à educação aos jovens do campo, é necessário,
urgente e possível pensar que o povo do Vale do Jequitinhonha, do qual sou
descendente, é forte, batalhador, ativo e quer vencer as práticas de opressão que
historicamente sofreu e sofre. O título de Vale da pobreza é conseqüência da ação de
injustiça social, fruto da opressão, nos foi imposto, não é nosso, por isso não
queremos ser assim nomeados, por isso precisamos denunciar, resistir e gritar para
que todos ouçam o que se passa no Vale. Grito em nome dos jovens do campo, em nome
da minha família que lá está e não teve oportunidade de mandar os seus filhos para a
escola, porque ela não existia, não estava ao alcance de suas condições.
 
A Escola Família Agrícola Bontempo - www.efabontempo.org.br -, situada em Itaobim,
sonhada e concretizada pelos agricultores e agricultoras familiares do Vale, atende
jovens do campo de mais de 20 municípios do Baixo e Médio Jequitinhonha.
 
Assim como todas as EFAs de Minas Gerais e do Brasil, na sua prática de educação tem
o jovem do campo como um sujeito de direitos, de cultura e de identidade com
valores e tradições tão importantes quanto os sujeitos do meio urbano. Para além do
jargão de "fixar o jovem no meio rural", a EFA luta pelo direito à educação, à
profissionalização do jovem do campo, o direito de sair por opção, não pela
expulsão simbólica da falta de escola, da oportunidade de ficar junto com suas
famílias no período tão importante que é a adolescência e início da juventude, de
poder estudar e decidir se fica ou se sai do seu lugar de origem. O objetivo é que
o jovem consiga no processo de formação na EFA encontrar junto com sua família,
comunidade, meios para garantir a sua permanência no campo se assim ele desejar,
pois tem o direito constituído de ir i vir.
 
Quem tem "um pé na roça", por origem, por afinidade, por solidariedade, por luta,
por justiça, e, por fim, por humanismo, entra na roda em defesa da EFA Bontempo, a
favor da educação como direito e contra qualquer prática de opressão dos
trabalhadores e trabalhadores rurais do Vale, de Minas, do Brasil e de qualquer
lugar do mundo.
 
A EFA Bontempo está na iminência de ser despejada, processo que dura 7 anos, ação
movida pela Fundação Brasileira de Desenvolvimento - FBD -,   que doou o terreno
para construção da escola e ajudou buscar recursos para a construção da escola. Após
3 anos de funcionamento, depois de construído os prédios, a entidade quer o terreno
com os prédios de volta, com objetivos particulares, por achar que a estrutura pode
servir a outro projeto, não se sabe qual. No entanto os recursos vindos da Itália,
doados a fundo perdido, (e o projeto) foram para a construção da EFA que oferece
Ensino Médio e Técnico em Agropecuária. Sem justificativa convincente, nos resta
interpretar que a FBD, representada e seu representante padre Felice Bontempi, usou
o grupo organizado da EFA, a confiança dos agricultores familiares - na esperança de
uma escola ideal para os seus filhos - para conseguir recursos para a construção e
depois tomar, uma vez que o responsável pela entidade se acha no direito de dizer
que a EFA não cumpre com sua obrigação, e no direito de reaver a posse da terra
cedida em comodato. Não temos outra interpretação para a ação de despejo, uma vez
que todos os objetivos da EFA estão sendo cumpridos e validados pelas entidades e
organizações sociais do Vale, parceiras da EFA e principalmente por todas as
entidades públicas, entre elas: Secretaria Estadual de Educação, Ministério de
Desenvolvimento Agrário - MDA -, Conselho Estadual de Educação, Universidades
Federais, prefeituras do Vale, incluindo a prefeitura de Itaobim.
 
Não podemos permitir o despejo, "violência simbólica", pois uma atitude dessa fere o
princípio do função social da propriedade, do direito à educação e do direito à
organização social, contidos na Constituição Federal.
 
Esse tipo de prática de opressão desmotiva a participação das famílias no processo
de educação dos seus filhos, e para além, desmotiva as famílias, os jovens do campo
a acreditar na justiça brasileira, na política em todos os sentidos, tão importante
para a geração jovem do campo.
 
Veja o vídeo que mostra o processo de criação e construção da EFA Bontempo, no sítio
www.efabontempo.org.br.
 
 
 
Abraço!
 
Marinalva J. Franca
 
Educadora, natural de Itinga, Em defesa da educação do campo e de justiça social.


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Fonte: www.gilvander.org.br 30/06/10


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