Na manhã de ontem, dia 07 de junho de 2010, cerca de4 00 pessoas ligadas à Via
Campesina (MST, MAB, MPA), ocuparam a sede da Superintendênciado INCRA (Instituto
Nacional de Colonização e Reforma Agrária), em Belo Horizonte, MG). Os manifestantes
cobram do INCRA agilidade da Reforma Agrária, em especial para as famílias já
acampadas.
O MST exige o assentamento para as famílias acampadas e assistência técnica para as
famílias já assentadas. O Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA) cobra que o
INCRA agilize assentamento para os camponeses sem terra ou com pouca terra. Já o
Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) reivindica, sobretudo, a vistoria de
terras para reassentamento de famílias atingidas por barragens do Leste e da Zona da
Mata Mineira. "O INCRA cadastrou as famílias ed esapareceu da região", reclamam as
lideranças.
Dezenas de famílias atingidas pela barragem de Fumaça, acampadas noAcampamento Dom
Luciano desde o dia 14 de março de 2010, participam da mobilização. "Abarragem foi
construída pela Novelis, uma empresa transnacional que usa a hidrelétrica para
abastecer sua indústria de alumínio na cidade de Ouro Preto, e deixou as famílias
abandonadas, sem terra e sem os meios de subsistência", disse Padre Antônio Claret
Fernandes.
Dentre as várias categorias atingidas, os diaristas foram os mais prejudicados. Dos
mais de 400 diaristas atingidos, alguns não foramreconhecidos e muitos receberam uma
indenização de apenas 238 reais. Em julhodo ano passado o Governo Lula reconheceu
publicamente a dívida do EstadoBrasileiro com as populações atingidas por barragens
e prometeu o pagamentodessa dívida antes do final do seu Governo, determinando ao
INCRA olevantamento dessa dívida através do cadastramento das famílias atingidas.
Entre os pontos da pauta de reivindicação dos atingidos por barragens está a
vistoria das terras para reassentamento das famílias já cadastradas, plano de
reassentamento e aquisiçãodas terras, término do cadastramento das famílias pelo
INCRA e meios desubsistência às famílias acampadas.
Os manifestantes permanecerão acampados no INCRA em Belo Horizonte até terem suas
pautas atendidas e o INCRA apontar medidas concretas para anegociação com os
movimentos organizados.