Escola é incendiada em terceiro ataque a território indígena em Pernambuco

29/12/2018

Aliny Gama - Colaboração para o UOL, em Maceió

Fonte:https://noticias.uol.com.br/cotidiano/ultimas-noticias/2018/12/27/escola-e-incendiada-em-terceiro-ataque-a-territorio-indigena-em-pernambuco.htm

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Escola é destruída em incêndio suspeito em outubro no território dos Pankararus Imagem: Divulgação

Uma escola indígena foi incendiada por desconhecidos em uma aldeia na Terra Indígena Pankararu, no sertão de Pernambuco, na quarta-feira (26). Foi a terceira vez em cerca de dois meses que indígenas da etnia se tornaram alvo de ataques na zona rural do município de Jatobá, na região do médio curso do rio São Francisco. Ninguém ficou ferido na ação.

Os índios Pankararus estão em conflito com posseiros que foram recentemente expulsos da região pela polícia, mas não é possível dizer se isso tem ligação com os incêndios.

Uma sala anexa à escola, onde funcionava uma creche, também foi destruída pelo fogo. Os índios tentaram apagar o incêndio e acionaram o Corpo de Bombeiros, mas não conseguiram conter as chamas e o local ficou destruído.

Uma escola, um posto de saúde e uma igreja que ficavam nas terras dos indígenas foram incendiados em dois outros ataques ocorridos em outubro e no início de dezembro. Ninguém ficou ferido nos incêndios, mas até agora, a polícia não prendeu nenhum suspeito.

Segundo lideranças indígenas Pankararus, os índios se desesperaram ao ver o fogo consumindo a escola. Eles pegaram baldes com água e jogaram no prédio.

O primeiro incêndio criminoso destruiu a escola e o posto de saúde de outra aldeia, chamada Bem Querer de Baixo, na madrugada do dia 29 de outubro.

A segunda ação de criminosos ocorreu na igreja católica da mesma aldeia, na madrugada do dia 8 de dezembro. O prédio teve parte do forro destruído. Os vidros das janelas e portas foram quebrados.

Os Pankararus dizem temer que uma nova ação deixe vítimas feridas. Lideranças indígenas disseram acreditar que os ataques são retaliações de posseiros expulsos.

“A gente já não tem mais o que dizer, além de que: já passou dos limites! Agora são duas escolas, uma unidade de saúde e uma igreja incendiadas. Estão nos atacando onde nos é mais frágil: saúde, educação e fé.”, diz um comunicado divulgado pelo povo Pankararu. As lideranças indígenas evitam dar entrevistas com medo de represálias.

“A população da aldeia Caldeirão agora segue em vigilância constante para proteger a igreja da comunidade até que o Estado, a polícia e a Justiça façam seu trabalho de verdade. Seguiremos unidos, de pé, de cabeça erguida. O ódio não há de vencer”, disseram as lideranças Pankararus em nota.

Em setembro, 12 famílias de posseiros que moravam na aldeia Bem Querer de Baixo foram expulsas da região. A desocupação foi realizada pela policia, pois os posseiros descumpriram ordem judicial de deixar o local pacificamente.

Durante a desocupação da terra, posseiros teriam ameaçado os índios de colocar veneno na adutora que abastece a comunidade indígena, de acordo com os Pankararus. Os posseiros teriam destruído seus próprios imóveis ao deixar a região.

Por se tratar de área indígena, a PF (Polícia Federal) foi informada pela Polícia Civil sobre o incêndio na escola da aldeia Caldeirão. A PF em Salgueiro, sertão de Pernambuco, informou que vai instaurar inquérito para investigar as causas do incêndio.

Na tarde desta quarta-feira, uma equipe de peritos da PF foi até a escola incendiada para analisar o local e colher dados para investigação. Nos próximos dias, segundo a PF, testemunhas do incêndio serão intimadas para prestarem depoimento.

A Secretaria Estadual de Educação informou que uma equipe da Gerência Regional de Educação do Submédio São Francisco foi até a Escola Estadual Indígena José Luciano para avaliar os danos. A secretaria afirmou que está “tomando todas as providências cabíveis” e que registrou um boletim de ocorrência na delegacia de polícia de Jatobá.