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A Articulação Nacional de Agroecologia (ANA) manifesta solidariedade aos familiares, amigos e companheiros de José Bernardo da Silva, conhecido como Orlando, e Rodrigo Celestino, lideranças do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) brutalmente assassinados na noite de sábado, 8 de dezembro de 2018. Orlando e Rodrigo foram mortos no Acampamento Dom José Maria Pires, onde vivem 450 famílias, no município de Alhandra, sul da Paraíba, na área da Fazenda Garapu, pertencente ao grupo Santa Tereza, ocupada pelas famílias sem terra em julho de 2017.

Manifestamos nosso mais veemente repúdio à violência que, infelizmente, vemos crescer assustadoramente em nosso país, contra os militantes pelos direitos humanos e lideranças dos movimentos sociais. Somente em 2017, setenta e três vidas de trabalhadores foram ceifadas em conflitos no campo. Repudiamos também o fato de que muitas autoridades políticas não manifestaram publicamente repúdio aos assassinatos destas lideranças, como também não o fizeram em outros assassinatos que ocorreram em 2018. Esta omissão, somadas às declarações de apologia à violência por parte de muitos políticos conhecidos, contribuem para agravar o quadro de crimes contra defensores dos direitos humanos.

O caso motivou a publicação de nota da Procuradoria Geral da República, Procuradoria Federal dos Direitos do cidadão (PFDC) e da Procuradoria Regional dos Direitos do Cidadão na Paraíba (PRDC/PB), órgãos do Ministério Público Federal, na qual as autoridades afirmam que “reiteram o compromisso com a proteção dos direitos humanos dos assentados e envidarão todos os esforços perante os órgãos de investigação para que a autoria do duplo assassinato seja esclarecida e os responsáveis punidos conforme a lei”.
Exigimos das autoridades rigor na apuração do crime e punição aos assassinos e mandantes. E o assentamento imediato das famílias acampadas.

Infelizmente, o latifúndio no Brasil segue matando quem luta pela terra e por vida digna no campo. Dirigimo-nos aos setores democráticos da sociedade brasileira e à opinião pública internacional para afirmar que as lutas históricas pela democratização da terra em nosso país, fruto da coragem de militantes como Orlando e Rodrigo, resultaram no assentamento de mais de 1.200.000 famílias que viviam com condições de pobreza e exploração e hoje estão em seus assentamentos produzindo alimentos saudáveis para a população do campo e da cidade.

BRASIL, 10 DE DEZEMBRO DE 2018.
70 ANOS DA DECLARAÇÃO UNIVERSAL DOS DIREITOS HUMANOS