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Debate no Abril Indígena no CEDEFES é marcado por denúncias de violências e perseguições à indígenas no centro de Belo Horizonte

02/05/2018

Alenice Baeta

No dia 23 de abril ocorreu o “Abril Indígena”  no CEDEFES cujo tema proposto foi  “Direitos Indígenas e a questão ambiental: partilhando reflexões para a luta”. Participaram da roda de conversa as lideranças indígenas Paulinho Aranã, Kapua Lana Puri, Eli Carajá, Anghô Pataxó e Raiô Pataxô, além de integrantes da equipe CEDEFES, sócios e demais participantes. Frei Gilvander Moreira, assessor da Comissão Pastoral da Terra-CPT,  também participou e filmou o evento.

O indígena Paulinho Aranã contando a história de seu povo no vale do Jequitinhonha e na RMBH.  Foto: A. Baeta.

O principal ponto discutido foi a violência e preconceito que os povos indígenas tem sofrido na Região Metropolitana de Belo Horizonte-RMBH, quando ocorreu relato de mais um grave episódio de repressão policial sofrida por membros de família Pataxó dias antes na Praça Sete,  região central de BH. Foram também lembradas as mortes de 3 indígenas Pataxó em BH anos atrás que até hoje não foram esclarecidas. Indígenas de várias etnias vêm ainda denunciando a grande dificuldade em expor o seu artesanato nas feiras e nas ruas em geral. Continua também a dificuldade no uso de transporte coletivo, pois muitas vezes os motoristas de ônibus não param nos pontos quando os indígenas estão com suas vestes e adereços tradicionais, dificultando a sua acessibilidade e trânsito.

Representantes Pataxó relatando situação de violência na RMBH. Foto: A. Baeta.

Outra questão debatida foi a organização e articulação de grupos indígenas em ocupações em Minas Gerais, como os casos de Esmeraldas e de São Joaquim de Bicas, ambas cidades situadas no vale do rio Paraopeba, sendo essa última ocupação em articulação com o Movimento dos Sem Terra –MST em uma fazenda do empresário Eike Batista – que seria destinada a mineração. Também foi mencionada a ocupação dos indígenas Kiriri que teriam sido pressionados a se retirar de uma ocupação em um terreno abandonado da UEMG em Caldas.

Kapua Lana Puri ainda fez importante relato sobre os indígenas da etnia Puri e sua organização  na região de Barbacena e outros municípios do estado. Paulinho Aranã contou a história de seu povo no vale do Jequitinhonha, a luta pela terra, a vinda de muitos para a cidade à procura de emprego e de moradia. O índio Eli Carajá, por sua vez,  contou a história da vinda e saga de sua família em Minas Gerais.

Ainda foi abordada a situação de muitos povos indígenas, quilombolas e outros grupos tradicionais que pleiteiam terras que atualmente se encontram inseridas indevidamente em unidades de conservação no âmbito estadual e federal no estado – denunciando que a politica ambiental é míope quando se refere aos direitos dos povos tradicionais e seus territórios históricos.

Ao final, a diretoria do CEDEFES ficou de solicitar à Comissão de Direitos humanos da Assembléia Legislativa de Minas Gerais uma reunião visando debater a violência que os indígenas vêm sofrendo em Belo Horizonte, onde deverão ser indicadas diretrizes eficazes que visem estancar as perseguições denunciadas, garantindo a sua segurança, respeito e dignidade.

 

Indígenas Pataxó, Puri e demais participantes do Abril Indígena no CEDEFES. Foto: A. Baeta.